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O Serviço de Orientação Seletiva em Psiquiatria

Nesta página explico com mais detalhe meu estilo de trabalhar, o meu jeito de lidar com as complexas situações que surgem no processo de avaliação e tratamento de pessoas e familiares que estão vivenciando ou precisando lidar com problemas causados por transtornos mentais de qualquer gravidade em si mesmos ou em algum amigo ou familiar.

Trata-se de uma espécie de declaração de princípios ou de ideologia profissional que julgo que sempre deve ser apresentada claramente por qualquer profissional ou por qualquer instituição que se proponha a tratar de pessoas com problemas de saúde física ou psicológica.

Como já dito em outra página do site (Sobre prevenção), cada médico tem suas maneiras específicas de lidar com as situações que surgem no exercício da profissão, que são decorrentes de tudo que aprendeu, questionou, transformou e realizou em sua vida profissional. É o que se chama de experiência, de estilo do profissional.

Minha maneira de proceder decorre das diversas experiências que tive nos vários contextos de serviços psiquiátricos que freqüentei durante esses anos em que exerço a especialidade.

Freqüentei os bancos acadêmicos, as supervisões clínicas onde analistas e professores mais experientes orientam os colegas iniciantes, como supervisionando no início e posteriormente como supervisor, em grupo e individualmente, fiz minha análise pessoal, trabalhei no serviço público, exerci a profissão sempre, no consultório particular, nos hospitais particulares, no meu próprio serviço psiquiátrico de internação como um dos donos e diretor-clínico de uma equipe multi-profissional.

Meu estilo decorre, portanto, do que sou, do que vi, do que pensei e senti a respeito do que vi, do que aprendi desde o começo com professores e colegas mais experientes e também com os colegas menos experientes, diga-se, do que experimentei como sucesso e também como fracasso e frustração no tratamento dos pacientes gravemente enfermos e também dos não tão graves, do que reformulei por considerar errado ou pouco eficiente na prática médica que exerci ou da qual participei.

Meu jeito de ser e de trabalhar, decorre também de tudo aquilo que não consegui mudar nas muitas vezes em que me encontrei vinculado a instituições públicas ou particulares onde deve existir e existe efetivamente, uma hierarquia médica ou administrativa que dificulta ou mesmo impede o médico que está na rede de relacionamento multi-disciplinar de proceder de acordo com seu estilo próprio, com suas idéias ou como considera que seria o ideal para determinado caso.

Hoje em dia trabalho apenas em meu consultório particular, não estando vinculado a nenhuma outra instituição médica de internação.

Após essa explanação, exponho agora minha atual forma de proceder profissional que é a seguinte:

Na fase inicial, que pode se estender a algumas consultas dependendo da dificuldade do caso, efetuo uma avaliação diagnóstica ampla do quadro clínico que a mim se apresenta. Desde a primeira consulta tento determinar quantas mais vou precisar para efetuar o diagnóstico e elaborar o plano de tratamento. Às vezes, em uma primeira consulta já é possível efetuar esse planejamento.

Em um segundo momento, após a feitura do dianóstico e sua discussão com todos os envolvidos, apresento o projeto de tratamento elaborado, onde, entre outras coisas, relaciono as medidas que considero ideais para o caso com a melhor opção para dar conta da situação específica, levando em consideração as disponibilidades ideais de tratamento para o caso, oferecidas na cidade de São Paulo.

Aqui cabe um adendo.

Por que São Paulo?

Em primeiro lugar porque esta é a minha cidade, é onde moro.

Mas não é só por isso. Já tive, também, uma clínica de tratamento psiquiátrico no interior de São Paulo, na zona rural de uma cidade do Vale do Paraíba, Jambeiro, onde realizei um projeto de atendimento psiquiátrico condizente com o que eu pensava na época.

Essa experiência foi muito importante para minha vida profissional e para que eu entendesse melhor e reformulasse toda minha ideação sobre tratamento de pessoas que estão gravemente doentes.

Não acho mais que a zona rural seja a escolha ideal para se tratar qualquer doença, como cheguei a pensar em tempos passados. O projeto clínico todo que efetuei, com a cooperação dos meus sócios naquele momento, de grande complexidade porque envolvia a criação física de um espaço clínico, um lugar como uma estrutura hoteleira, com capacidade de receber pessoas num espaço de 11.000 m2 e uma equipe multidisciplinar, não foi totalmente bem sucedido, também por esse simples fato: localizava-se na zona rural, distante de um grande centro urbano que facilitasse inúmeras atividades relacionadas com o fazer terapêutico. Talvez em outro lugar e momento eu me estenda mais sobre esse experiência que pode ser de utilidade para quem queira se aprofundar na compreensão do fazer psiquiatrico moderno.

Também não acredito mais em internações prolongadas, mais do que 30 ou no máximo 60 dias, em quaisquer outras problemáticas a não ser as relacionadas a processos demenciais. Esse é outro tema de acentuada importância que desenvolverei em outro momento.

O tratamento de transtornos relacionados com abuso de drogas, com surtos psicóticos de qualquer natureza, transtornos neuróticos graves, transtornos de personalidade, deve ser feito, na maior parte das vezes, com equipe multiprofissional, sim, mas num contexto urbano e com a equipe sendo conduzida por médicos psiquiatras.

Acredito, hoje em dia, que a equipe multiprofissional deve ser montada para cada caso específico. Não são todos os pacientes que precisam de enfermeiros, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, professores de educação física ou de professores de arte ou de teatro ao mesmo tempo. A escolha do profissional que será agregado à equipe de tratamento deve responder às necessidades específicas de cada caso, e tais equipes deverão ser sempre supervisionadas por um médico psiquiatra.

O contexto de tratamento deve ser urbano pois só em cidades é possível se encontrar a diversidade cultural necessária para se mudar o contexto psicológico de uma pessoa acometida por um transtorno psiquiátrico. Veja em outra parte do site as considerações que faço sobre Arte, por exemplo.

Minha idéia básica, atual, é oferecer um contexto terapêutico ao paciente que o incluirá nas manifestações culturais existentes na cidade de São Paulo, usando, portanto a cidade como coadjuvante terapêutica, como inspiradora de busca de otimização psicológica com seus parques, seus teatros, seus cinemas, seus museus, seus espaços de ensino, seus cursos, seus restaurantes e shoppings. Os espaços de reformulação da personalidade já estão todos prontos numa cidade como São Paulo. Por que, então, tentar reconstrui-los no campo?

A idéia-mãe é, portanto, tratar das pessoas fora de um ambiente de confinamento.

No entanto, não se pode prescindir, muitas vezes, de uma internação de curta duração, no mais das vezes no início do tratamento.

Quando há essa necessidade, estudo com a pessoa e sua família, a melhor alternativa possível para seu caso, que nem sempre é uma clínica psiquiátrica. Pode ser melhor, por exemplo, e imediatamente me vem à lembrança casos depressivos de média para alta gravidade, transtornos decorrentes de dependência de álcool e de outras drogas, pacientes que já tratei com internação inicial em hospital clínico, onde é possível se contar com o laboratório e outros procedimentos médicos e exames que só nesse contexto de internação clínica são possíveis. O regime de urgência ou de emergência clínica médica, conceitos distintos mas que podem se tornar sequenciais se descuidados, contraindica a internação em clínica psiquiátrica.

Outro aspecto importante: a peculiaridade de determinados surtos psicóticos, faz com que a pessoa perca a noção de doença ou de necessidade de tratamento ou de internação, recusando-se a ir espontâneamente procurar o médico que poderá cuidar do seu problema. Muitas vezes ocorre liberação de agressividade dirigida a outras pessoas ou a si mesmo, com perigo de vida iminente. Nesses casos faz-se necessária a prática da remoção não consentida do paciente para a clínica onde começará seu tratamento. Uma ambulância será chamada para levar o paciente ao lugar onde será tratado.

Tal forma de remoção, quando inevitável, será feita da forma menos traumática possível, após estudo estratégico, sempre levando em consideração as necessidades afetivas, psicológicas, médicas e econômicas do paciente e da família que está vivenciando o problema. Temos em São Paulo inúmeras opções bastante boas.

Para finalizar este depoimento, é importante que fique claro que assumirei integralmente o tratamento de qualquer paciente que venha se tratar comigo, mesmo se existir esse período de internação inicial ou em qualquer momento de sua evolução. Considero muito importante participar desse momento de maior fragilidade e regressão psicológica da pessoa.

O hospital escolhido para essa fase (geralmente inicial), portanto, deve admitir que eu vá cuidar pessoalmente do paciente e que serei eu o profissional que conduzirá seu tratamento, tanto medicamentoso quanto psicoterápico, além de supervisionar a equipe clínica que eu designar para o caso.

Dr. José Roberto Campos de Oliveira.

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