A fofoca, significando o disse-me-disse, o dito maldoso, o mexerico, a afirmação não baseada em fatos concretos, determinado comportamento de alguém comentado por outra pessoa, sem provas concretas, faz parte do nosso pensar e agir social.
Tem aliás, muito importantes funções sociais, de diversos matizes, colabora, também, como pano de fundo, para a composição de diversas considerações existenciais, além de ser muito apetitosa, quase sempre, talvez exatamente por essas qualidades.
Pode-se aprender muito sobre o ser humano, pensando em seus detalhes.
Vejam esta, que ouvi outro dia em uma animada conversa de um grupo de estudantes de Direito de diversas faculdades da área, que estavam se provocando mutuamente, em alegre brincadeira.
Chamavam-se uns aos outros de "cavalgadura", nomeavam colegas que consideravam “lesados”, comentavam dos alunos e alunas de determinada faculdade, comparavam os professores etc., como é comum acontecer em rodas de universitários.
Em determinado momento, alguém comentou que ali estava havendo um exagero, nem tudo o que diziam era verdade, achava, por exemplo, que existia, sim, vida inteligente na faculdade que estava na berlinda naquele momento, que ele não tinha nada contra aquela “gloriosa faculdade”. Arrematava, apenas, que essa vida inteligente não se encontrava no corpo discente e sim no docente, como queria demonstrar.
Contou então o seguinte “causo urbano” que repasso como o ouvi, inclusive com o linguajar chulo utilizado pelo rapaz, porque o linguajar de baixo calão, grosseiro, dá à narrativa o colorido especial, politicamente incorreto, da fofoca.
“Diz-que aconteceu numa das salas de aula da Faculdade de Direito da ... ,começou.
Quinto ano, os alunos meio de saco cheio com aquela mestra pentelha. Eis que ela entra na sala. Com um sorrisinho sádico. Já entra pisoteando os coitados: teremos, fala devagarzinho para ver o efeito nos quase "advogadinhos de merda", como gosta de apontá-los quando a eles se refere, para os outros colegas professores; teremos, repete, amanhãããã, frisa,.... prova.
E continua:
- Não existe nenhuma possibilidade de faltar sem levar zero. Nenhuma, ouviram? Nem doença, nem porre, nem fome, nem dor de cotovelo, nem despreparo, nem morte. Nem morte, ouviram? Faltou, é zero. Não há nada que justifique uma falta na prova de amanhã, vociferou a mestra.
Vinda lá do fundo da classe, ouve-se uma voz:
- Professora, será que a senhora eventualmente poderia reconsiderar a existência de alguma coisa que justifique uma eventual falta manhã, haja vista que já tenho um compromisso hoje que exigirá muito de mim?
- Qual tipo de compromisso e o que isso tem a ver com amanhã? pergunta a professora.
- Cansaço excessivo, por excesso de sexo, mestra. Isso justificaria uma falta amanhã?
A classe quase foi abaixo.
A professora esperou que o riso baixasse.
Dirigindo-se ao engraçadinho, vagarosamente, falou:
- No seu caso, querido, insisto em negar que seja uma justificativa válida, por dois motivos muito simples: em primeiro lugar, como a prova vai ser de múltipla escolha, você sempre poderá fazê-la... com a mão esquerda... Ou, pensando em outra possibilidade de sexo excessivo no seu caso, você poderá fazê-la em pé.... se não conseguir ficar sentado!"
Artigo do Dr. José Roberto Campos de Oliveira.